13 novembro 2011

A ALESTE e o MPP Ar & Água


Olá amigos,
A Associação Amigos da Zona Leste de São José dos Campos, estará apoiando e colaborando com este movimento, iniciado pela SAVIVER e depois recebido o apoio do SINDIPETRO, com a proposição de ser um movimento social, apartidário e livre de radicalismos. Com ele se buscando somente a proposição de uma boa qualidade de vida para a população da Região Leste e, sobretudo, procurar respostas definitivas para os problemas de saúde que nos vêm sido impostos pelas três principais fontes poluidoras dos dois elementos < ar e água >, a REVAP, A Rodovia Presidente Dutra e a SABESP.
Para vosso conhecimento e elucidação sobre o contexto, leiam o texto abaixo.
Filipe de Sousa
 O Movimento Popular Permanente Ar & Água, é uma junção de proposta e de necessidade da busca por uma sociedade mais organizada e comprometida com a sua qualidade de vida.
É fato que as comunidades em torno de refinarias e de outras fontes poluidoras como grandes rodovias, fábricas, etc. são diuturnamente afetadas em sua saúde por essas fontes poluidoras, que agregadas a uma região ou país, formam o problema Ar e Água que respiramos e bebemos.
A partir de meados do século XVIII, com a Revolução Industrial, aumentou muito a poluição do ar e da água. A queima do carvão mineral despejava na atmosfera das cidades industriais europeias, toneladas de poluentes. O processo industrial da maioria das indústrias passou a jogar resíduos com os mais diversos compostos químicos nos rios.
A partir deste momento, o ser humano teve que conviver com o ar e a água poluídos e com todos os prejuízos advindos deste "progresso".
Atualmente, quase todas as grandes cidades do mundo sofrem os efeitos daninhos da poluição do ar. Cidades como São Paulo, Tóquio, Nova Iorque e Cidade do México estão na lista das mais poluídas do mundo.
No caso específico falando-se de poluição, da cidade de São José dos Campos e mais propriamente no que tange à região Leste, os três maiores interventores ambientais são a REVAP – Refinaria Henrique Laje (incluindo-se aqui o Pólo de distribuição de gás), a Rodovia Presidente Enrique Gaspar Dutra e a SABESP.
Esta poluição e o descaso da última têm gerado diversos problemas nas comunidades do entorno.
A saúde dos habitantes, por exemplo, é a mais afetada com a poluição da REVAP e da Rodovia Presidente Dutra.
Doenças respiratórias como a bronquite, rinite alérgica, alergias e asma levam milhares de pessoas ao hospital Municipal, Unidades de Pronto Atendimento e Unidades Básicas de Saúde todos os anos. Outros problemas de saúde são: irritação na pele, lacrimação exagerada, infecção nos olhos, ardência na mucosa da garganta e processos inflamatórios no sistema circulatório (quando os poluentes chegam à circulação).
A poluição atmosférica também tem prejudicado os ecossistemas e o patrimônio de cada um de seus habitantes. Fruto desta poluição, a chuva ácida mata plantas, animais e vai corroendo, com o tempo, carros, imóveis, contaminando piscinas, etc...
Quanto ao problema da água, como  falei anteriormente é tão grave quanto o da poluição atmosférica e isto está bem explícito no artigo do Dr. Coimbra sobre “a água que bebemos”. Despejos em natura de esgoto SABESP, despejos de resíduos industriais (REVAP) em subafluentes do Rio Paraíba do Sul (fonte de captação da água que bebemos) e, a dificuldade de sua eliminação pelo sistema de pseudo-purificação usado pelas duas empresas, REVAP e SABESP. E a água contaminada e impura está causando também inúmeros problemas de saúde à população Joseense.
O LUCRO é precioso para a manutenção do emprego, mas dele não depende a vida.
Já imaginaste maior suplício do que morrer de sede, rodeado de água por todos os lados?
-A vida existe porque a água existe.
-Sem água não há milho. Sem milho não há pão. Sem pão morremos de fome.
-Sem água a erva seca. Sem erva os animais morrem de fome, também.
-Sem água, morrem as plantas, os homens e os animais.
-Contudo, não basta que a água exista.
Assim, é preciso preservar a sua virgindade, ou seja, é preciso mantê-la incolor e transparente, insípida e inodora, para que possa gerar vida.
É preciso também preservar a atmosfera, pois o ar puro é imprescindível à saúde do ser humano.

O homem?  
O homem não vive sem beber água pura. Não vive sem respirar o ar puro.
O Movimento popular Permanente “Ar & Água” quer construir sua história pautada no desenvolvimento sustentável da Região.
A noção de sustentabilidade remete ao conceito de interação entre todos os elementos da natureza. Quando observamos os animais, a floresta, o solo, a água e o ar, percebemos que eles não são elementos isolados, pelo contrário, trabalham juntos para garantir a conservação da vida. E na região leste observamos a poluição do ar, da água e dos lençóis freáticos.
. E garantir isto é garantir a boa qualidade de vida também dos humanos do entorno da REVAP - Refinaria Enrique Laje. Preservar a água que bebemos e o ar que respiramos é a nossa luta.
Filipe de Sousa


04 novembro 2011

"I ENCONTR-AR & ÁGUA"

Movimento saúde
Na última reunião, estiveram presentes Edson (Sindipetro), Nelson, Leo e Epaminondas (Saviver), Filipe (Aleste), Gláucia (Op. Alternativa/Apeoesp) e Denis (AES).

Nelson apresentou uma proposta para designação do movimento, que foi aprovada por todos. Nosso movimento, assim, será designado como "MOVIMENTO POPULAR PERMANENTE EM FAVOR DO MEIO AMBIENTE, SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DOS MORADORES DA ZONA LESTE DE SJC E REGIÃO - MPP AR & ÁGUA".

Em seguida, definições importantes:

a) Evento cultural: 03.12.2011 - a partir das 09:00 hs - Local: Praça Julio Yoiti Shimabukuro - Vista Verde (Rua Aparecida Dalprat Souza)

Nome do evento: "I ENCONTR-AR & ÁGUA"

* Convidados e responsáveis pelos convites: Artesãos, Fundhasa (Saviver), C&C - p/ divulgação (Aleste), entidades sindicais, mov. populares, mov. médicos, Defensoria Pública e MP (Denis/AES), Escolas (Gláucia/Apeoesp);
 

* Convite à população em geral: Através do jornal Saviver (nov), ficando Nelson de apresentar na reunião de 4/11 um texto para ser acrescentado na Carta Aberta dos Petroleiros, que será encartada no jornal. Também serão feitas convocações nas feiras e etc.;

* Som - Denis/AES ficou responsável por pedir o caminhão de som do Sind. Metalúrgicos ou Químicos;

* Logo p/ o evento - Clara (AES) ficou responsável, embora ainda não saiba;

* Transmissão ao vivo - Filipe/Aleste;

* Todos (falar com O.J.E.) ficaram ainda encarregados de chamar grupos musicais, teatro e etc.

* Comunicados oficiais - PM, Sec. Transportes, SSM, p/ ponto de luz e CEDECA (Leo/Saviver).

* Multimidia - Todos também ficaram de tentar arrumar material de áudio e vídeo p/ passar.

b) Seminário: 21.01.2012 - Das 14 às 19:00 hs. - Local: Sindipetro.

Programação básica - Abertura (falas de 3 min de cada entidade participante) - Vídeo Saldiva (20 min) - Apresentação das regras de atuação das comissões temáticas - Debates e formulação de propostas nas comissões - Plenário com apresentação e votação das propostas das conclusões das comissões temáticas, através de leitura das mesmas.

Em caso de dúvida e/ou discordância, o interessado deve pedir um destaque, com uma defesa de manutenção e outra de rejeição/modificação da proposta de 3 min cada. Em seguida, votação pelo plenário;



Cada comissão deverá apresentar o cronograma e responsabilidades de suas ações a partir do Seminário;

O responsável pelo programa do vídeo do Saldiva nas escolas deve apresentar seu cronograma até abril;

Até o final de 2011, deverão ser definidas as comissões e respectivos coordenadores. Devemos fazer uma reunião prévia com os coordenadores.

28 outubro 2011

APP - AR & ÁGUA

Olá a todos,
Lembrando os pontos principais da última reunião (21/10/2011):
a) Presença: Edson (Sindipetro), Epaminondas e Nelson (Saviver), Clara e Denis (Ação Eco Socialista), Gláucia (Oposição Aternativa/APEOESP), Yasmin (O.J.E.) e Filipe de Sousa (Amigos da Zona Leste);
b) Definições e propósitos:
- Depois de alguns debates, fomos caracterizados como "um movimento popular em favor do meio ambiente, saúde e qualidade de vida dos moradores da Zona Leste de SJC e região";
- A melhoria das condições da saúde da população passa pela melhoria da qualidade do ar que respiramos e da água que consumimos;
- Muitas são as fonte poluidores da cidade, sendo a principal a Revap (Petrobras), sem esquecer das outras indústrias e da própria Rodovia Pres. Dutra, que corta São José;
- Em relação à principal fonte poluidora, o propósito do movimento não é fechar a Revap, mas exigir que a Petrobras cumpra as exigências dos órgãos ambientais e passe a atuar dentro dos limites de tolerância estabelecidos pelos organismos internacionais de saúde. Que a sua propagada sustentabilidade e compromisso socioambiental comece aqui mesmo, dentro da refinaria e nos bairros do entorno.
c) Ações:
- Com o intuito de envolver cada vez mais a população e entidades, será necessário colher a maior quantidade de dados possível, a partir dos trabalhadores (Sindipetro), bairros (Saviver) e órgãos públicos;
- Divulgar o vídeo com a palestra do Dr. Paulo Saldiva nas escolas da região (Ação Eco Socialista e Apeoesp);
- Realizar um evento cultural - a princípio no dia 03.12.2011 - em um local público, a fim de divulgar o movimento e envolver a população;
- Realizar um seminário no Sindipetro no início de 2012, onde serão formadas comissões que irão atuar mais profundamente segmentos específicos, como saúde, jurídico, comunicação & mídia, político e etc.;
- Encartar a Carta Aberta dos petroleiros no próximo jornal da Saviver (fim de novembro/2011), com a convocação para o evento cultural em dezembro;
d) Nossas reuniões serão sempre às sextas-feiras, às 16 hs, no Sindipetro. A próxima será no dia 28/10 e a pauta será essencialmente organizativa.
- Divulgação dos Eventos pelo jornal Gazeta Valeparaibana e radio WEB CULTURAonline, além de outras mídias chamadas de convencionais.
Acho que foi isso. Se faltou algo, por favor, mandem seus complementos...
Abraços e até sexta!
Denis

20 outubro 2011

REGULARIZAÇÃO de Loteamentos

20/10/2011
Prefeitura começa regularização de mais três loteamentos

A Prefeitura de São José dos Campos encaminhou ao 2º Cartório de Registro de Imóveis o pedido de regularização dos loteamentos Jardim Primavera 1A e 1B, na região leste. O primeiro passo será a elaboração de um documento de demarcação das áreas. Após o registro dos lotes, os donos poderão obter uma certidão de posse e, mais tarde, a escritura definitiva. No total, são 276 lotes, com índice de ocupação da ordem de 83%, redes de abastecimento de água e de energia, e coleta de lixo.

A Prefeitura também enviou ao 1º Cartório de Imóveis a documentação para regularizar o bairro Antonio Aleixo, localizado em área pública na região sul. Esse processo começa com o registro da matrícula imobiliária da área total e, em seguida, o Município formalizará a doação dos terrenos para transferência aos ocupantes. Com esses pedidos, já são quatro os processos de regularização por solicitação direta aos cartórios. Em agosto, foi regularizado pelo mesmo método o Jardim Mesquita, na zona sul.

Esse modelo inclui ainda as etapas de mapeamento da área e dos terrenos, produção de laudos técnicos ambientais, definição das divisas e identificação dos titulares. Também são consultados os vizinhos da área loteada irregularmente para verificação dos dados. Com a regularização,

quem possui o imóvel poderá receber uma certidão de posse com validade de cinco anos. Após esse período, o imóvel terá uma matrícula no cartório e poderá ser feita a escritura definitiva.

Essa nova forma de regularização fundiária dispensa a tramitação por via judicial, que geralmente é mais demorada – cerca de oito anos, em média. O modelo se baseia em sentença proferida em outubro de 2010 pela Corregedoria de Justiça da Comarca em atendimento a uma ação promovida pela Prefeitura. Diversas administrações municipais do país têm feito consultas à Secretaria de Habitação de São José, interessadas em adotar os mesmos procedimentos.

O Primavera 1A tem 78 lotes, o Primavera 1B tem 198, enquanto o Antonio Aleixo tem 32 lotes.

18 outubro 2011

Normalizada a disponibilidade

Caros ouvintes e voluntários,
Depois de muitos esforços já se pode sintonizar a rádio pelo site do jornal Gazeta Valeparaibana.

Não percam:
HOJE - 18h - PONTO FINAL com Filipe de Sousa
              20h - CÓDIGO DE ÉTICA com Diógenes Fuerte

28 setembro 2011

O porque da ALESTE"

"Não queremos dividir, queremos somar. Unir todas as lideranças comunitárias num mesmo sentimento e numa mesma luta. Pelos nossos direitos e por uma 
Zona Leste maior. "

15 setembro 2011

A Leste da Zona Leste

HOJE > 18:00 ás 20:00h  na CULTURAonline

Programa ALESTE da Leste com Filipe de Sousa
Festa do Jabá no Campos de São José
Mais uma vez a Petrobras enfia o pé na Lama
Noticias da Cidade
O Padre esqueceu de rezar pelos mortos
E muito mais! Não perca.

14 setembro 2011

CLIENTELISMO e a História no século XIX

Por que um sistema político forjado para assegurar a manutenção das hierarquias sociais, garantir a continuidade da escravidão e do virtual monopólio da propriedade fundiária precisou de eleições tão constantes e que ocupavam a atenção das comunidades durante quase todo o ano? Por que o último país a pôr fim à escravidão, e única monarquia americana tinha um número de pessoas envolvidas com o processo eleitoral maior que o de alguns países europeus da mesma época? Como o clientelismo, que assegurou o predomínio social e político do chefe local sobre seus parentes e aderentes, foi a base através da qual se construiu a centralização política de um Estado "moderno" e familiar ao mesmo tempo? Estas são algumas das originais e instigantes questões levantadas por Richard Graham em livro que enriquece decisivamente a historiografia sobre a sociedade brasileira do século XIX, mas que nos leva a uma inevitável e um tanto angustiante reflexão sobre as nossas próprias crenças eleitorais.
Através de descrições minuciosas de situações, rituais eleitorais, do detalhamento de processos políticos e administrativos, Graham evidencia o contexto histórico sem separar política, relações sociais, e experiências culturais. O clientelismo, ainda que gerado para consolidar a supremacia dos proprietários de terra e escravos articulada ao poder central, não aparece como um sistema infalível ou isento de incertezas e tensões. O controle social obtido nunca foi absoluto, e as ameaças de desordem, brechas, desobediências, ansiedades continuaram a atuar. Ao tratar das ansiedades dos líderes políticos, das mobilidades sociais e espaciais, Graham indica que sua perspectiva não está restrita à elucidação de um modelo formal, ou de um sistema em funcionamento perfeito e harmônico, uma vez que a tensão e o movimento estão presentes no fenômeno que desvenda.
A legislação, relatórios ministeriais e de outras autoridades, memorialistas, discursos parlamentares, e outras publicações do século XIX foram pesquisados. Mas as principais fontes do livro são correspondências oficiais e pessoais, em quantidade formidável, a que a análise empresta uma inédita dimensão de conjunto, a partir da qual o autor indica a extensão nacional do clientelismo. No fundo mais do que isso, pois a construção do Estado centralizado baseou-se nas redes clientelistas. Nega-se uma imagem mais ou menos atual, provavelmente gestada na Primeira República, de que o Nordeste seria o grande responsável pelo atraso de um suposto projeto de modernidade.
"As estruturas da política", "A atuação política" e "A prática do clientelismo" são as três partes do livro através das quais se vislumbra a vida social e política do Império, em uma narrativa circular. "O Teatro das Eleições" é o capítulo mais inovador e pode ser escolhido como entrada, merecendo um comentário mais longo. A Constituição de 1824 implementou um sistema de eleições indiretas e censitárias. Os votantes escolheriam os membros do colégio eleitoral – ou eleitores – que por sua vez escolheriam os componentes da Câmara dos Deputados. Mas a dúvida levantada pelo autor é: quem eram de fato os votantes? Longe estavam de pertencer a uma "classe dominante", como nebulosamente defenderam algumas correntes da historiografia que não haviam ainda se debruçado sobre tal documentação, e com olhos menos predispostos a reconhecer a especificidade da política na época imperial. Vinham, antes, do variegado mundo dos homens livres, sem distinção formal baseada em raça ou exigência de alfabetização. A junta de qualificação, controlada pela facção no poder, decidia quem seria ou não qualificado como votante. As interpretações da lei sobre as exigências de renda obedeciam à necessidade dos chefes locais em arrebanhar protegidos, levando-os quase como um pequeno exército a encher nos dias de eleição as pequenas cidades. Ali eram calçados, vestidos, alimentados e alojados, e mantidos sob cuidadosa vigilância, pois adeptos do exército inimigo poderiam aliciá-los. Exibir seu número significava medir forças com o adversário. Havia um complexo jogo entre ações extralegais – pela força ou pela fraude – e a legalidade. Ostentar uma força (mesmo que não se concretizasse) seria o caminho para o futuro reconhecimento de um líder político.
Encenava-se a detalhada hierarquia social, os diferentes status dos votantes – bacharéis, membros da Guarda Nacional, clérigos, agregados ou simples lavradores –, a posição inferior dos votantes diante dos superiores, e mesmo a superioridade dos votantes sobre os demais habitantes livres e os escravos (distinção esta fundamental, ali mais uma vez lembrada). Mais do que uma exclusão, as eleições eram uma forma de diferenciação. Os clientes demonstravam lealdade, obediência, reconhecimento; os patrões reafirmavam seu dom de proteção. Por tudo isso o espetáculo devia e podia ser amplo, bem como essencialmente público, quase uma festa, embora uma festa sempre tensa e que podia ser também violenta.
Nas igrejas – onde antes havia sido montado um cenário ligeiramente diferente daquele dos dias comuns e que recortava, na hierarquia social, a ordem política – chegavam, ostentando as insígnias oficiais de cada cargo, o juiz de paz e membros da Câmara municipal, ocupando a mesa eleitoral, soberana sobre o resultado local das eleições. Ao lado destes, o padre. A partir de 1842 juntava-se a estes o delegado, presença do distante poder central, que roubava do juiz de paz – ele próprio eleito localmente – o lugar de presidente da mesa e outras atribuições policiais e judiciais, mudança que não se operou sem reações violentas.
Espelhando o paradigma familiar, a troca de lealdade e obediência por proteção e favores constituía a matriz das relações sociais entre clientes e patrões, recriada quase indefinidamente entre os vários estratos sociais.
O virtual monopólio da propriedade da terra consistia não tanto em interesse econômico imediato, mas em um decisivo instrumento político. Um grande proprietário transformava-se efetivamente em um chefe local ao formar sua própria clientela. Podia conseguir dos "moradores" que ocupavam suas terras algo parecido com um pequeno exército, fosse para trabalhar em alguma empreitada ocasional, para votar ou para lutar. Ele também conseguiria livrar seus potenciais protegidos do recrutamento forçado, poderoso instrumento de controle social, da mesma forma que entregaria os recalcitrantes.
Também o governo central – simbolizado no primeiro pai, o Imperador – funcionava como uma espécie de padrinho para os chefes locais, constituindo-se na proteção contra as tensões sociais latentes, ao controlar uma rede de autoridades para vigiar a manutenção da ordem pública. Ficava cada vez mais claro que a autonomia regional ou provincial podia significar perigo. Ocupar aquela mesma rede de autoridade era objetivo dos chefes locais, uma vez que significaria aumentar sua clientela e prestígio. Surge daí o sentido da expressão "tomar posse" dos cargos públicos, ainda em voga. Por outro lado, o gabinete ministerial necessitava da lealdade do chefe local para consolidar a centralização política. Os ministros, mesmo nomeados pelo Imperador, dependiam do Congresso. Os deputados eram eleitos pelos chefes locais. Mas os ministros tinham o poder de controlar o processo eleitoral através das nomeações, seja para funções diretamente ligadas às eleições, seja para outros cargos que precisariam ser devidamente retribuídos com lealdade. Claro que o poder que nomeava também afastava. Toda a rede clientelista é minuciosamente explorada por Graham, nesse movimento de direções dispersas e às vezes contraditórias entre o poder local e o central.
A estrutura política recriava a hierarquia social. A cada voto, pedido de emprego, concessão de um favor, cada um reconhecia sua posição de inferior ou superior, dependendo da situação. Atender às solicitações dos clientes colocava em questão a própria posição como protetor, mesmo tratando-se de um ministro de Estado.
A análise da organização partidária do Império, evitando categorias anacrônicas, indica como Liberais e Conservadores participavam igualmente dos procedimentos clientelísticos. Sua cisão não era ideológica ou programática. A lealdade partidária, cuja manutenção não era tarefa fácil, dobrava-se antes a uma lealdade pessoal. Durante as campanhas procuravam-se as afinidades familiares, as amizades, as influências, as obrigações muito mais do que se defendia uma plataforma singular.
Curiosamente, era comum a preocupação em realizar eleições justas, o que significava aceitar que os adversários em algum momento participassem do poder. Os políticos acreditavam-se portadores de uma adesão plena aos princípios constitucionais e representativos.
Uma espécie de revezamento implícito expressava como cada partido ou facção, mais do que estar no governo, almejava ser o governo. As tensões entre facções ou entre autoridades, se bem administradas, perpetuavam o sistema como um todo.
Embora estabeleça como limites temporais do livro o reinado de D. Pedro II, entre 1840 e 1889, Graham reflete sobre o contexto de implantação do regime republicano ao abordar a reforma eleitoral de 1881 como fruto de transformações sociais. A introdução das eleições diretas e a exigência de alfabetização reduziu o número de habitantes envolvidos nas eleições de um milhão para 150 mil. Os argumentos favoráveis à reforma evidenciam que, com o fim iminente da escravidão, e o risco de que o sistema, tal como era, não fosse mais capaz de servir a seus objetivos, os fazendeiros aceitaram a restrição aos alfabetizados, bem como a nova forma de comprovação de renda. No entanto, a mudança era uma adaptação do clientelismo, pois os procedimentos básicos continuaram. A República continuou tanto com o voto restrito sob a nova aparência de universal, quanto com o clientelismo, desde então tornado federal. Haveria, entretanto, agora, novos cargos na disputa.
Finalmente, a narrativa não segue um tom comum entre alguns brasilianistas norte-americanos, pretendente a uma descrição empírica neutra que desperta certo enfado, apesar do mérito das pesquisas de grande alcance. Ao contrário, a leitura de Clientelismo e Política no Brasil do Século XIX é marcada pelo envolvimento de sua escrita. A um entendimento estreito de que o clientelismo seria um fenômeno tipicamente brasileiro o autor contrapõe uma série de referências a lugares e épocas nos quais fenômenos semelhantes têm sido analisados.
Comentário: Tão atual e tão velho quanto a nossa Vela e atual República. 
Filipe de Sousa

 Olá, Estamos no Facebook Passa por lá! https://www.facebook.com/groups/966020666778842